Planejamento em treinamento e desenvolvimento: enfrentando desafios

Fundamental para o amadurecimento das organizações brasileiras, ação exige profissionais de RH e culturas organizacionais preparadas e conscientes

Profissionais de qualidade, preparados, motivados e alinhados com a empresa, dedicados à conquista de resultados e à construção de carreiras sólidas em parceria com as organizações onde atuam. Este tipo de capital humano, base fundamental para o sucesso de organizações que buscam consolidação e expansão no mercado, não é resultado da sorte. O desenvolvimento e o treinamento de quadros de funcionários constituem as premissas para que este cenário se edifique e se mantenha. Trata-se também de um desafio para os profissionais de RH, que necessitam encontrar meios para realizar esta tarefa em diferentes postos hierárquicos além de planejar, executar e avaliar a efetividade de suas ações. Interligam-se aqui pontos subjetivos e financeiros, pessoas e números, expectativas individuais e objetivos organizacionais.

Para a professora da Integração Lucimar Delaroli,  é justamente na articulação destes fatores que o planejamento em treinamento e desenvolvimento encontra seus maiores percalços. A especialista explica que o investimento nesta área é geralmente visto, no mínimo, como pouco prioritário. A solicitação de recursos financeiros para seu encaminhamento gera muitas vezes uma série de questionamentos quanto aos resultados concretos para a empresa. Quando os recursos existem, a falta de um planejamento adequado pode gerar ações pouco integradas, com cursos e atividades que produzem resultados realmente pouco efetivos. Mesmo nos casos em que o planejamento existe e está minimamente alinhado às necessidades da organização, o mapeamento e avaliação aparecem como desafios de grandes proporções. Afinal, de que forma se pode valorar como determinado aprendizado adquirido pelos colaboradores trouxe melhorias em seu desempenho? E mais: de que modo verifica-se a relação entre esta mudança e os balanços financeiros da empresa?

Este emaranhado de dificuldades exige dos responsáveis pelo planejamento em T&D um olhar apurado tanto no que se refere ao correto diagnóstico das necessidades quanto ao processo para que estas sejam sanadas. Ainda é preciso buscar formas de adesão dos colaboradores e perceber que dinâmicas melhor se adequam a cada caso. Esta análise e esta clareza de objetivos não apenas definirão o processo e o investimento de recursos como também possibilitarão que métodos eficazes avaliem o sucesso ou fracasso da ação.

“Há grandes diferenças nas culturas organizacionais e, em um país como o Brasil, estas distinções chegam a ser brutais. Da mesma forma que já contamos com empresas amadurecidas e com parâmetros claros em T&D, temos uma maioria de estruturas quase arcaicas. Este é o contexto principalmente das pequenas empresas, que enfrentam dificuldades para manter em dia suas folhas de pagamento, geralmente encontrando pouquíssimo espaço para desenvolver seus profissionais”, explica a professora Lucimar.

Nos festejados casos em que o planejamento em T&D já é uma realidade, seu amadurecimento envolve diferentes áreas corporativas e a adoção de uma cultura que favoreça sobretudo o fluxo de informações, fundamental para que o RH aprofunde o seu trabalho. Todo este esforço, quando desenvolvido de maneira adequada em organizações preparadas para dar-lhe suporte, resulta em ganhos  valiosos e que, sim, podem ser medidos a partir de dados concretos:  a diminuição de turn over, a melhoria do clima organizacional,  aumento nos resultados de desempenho, diferenciações a partir de análise de séries históricas e outros. Estes dados, baseados em informação de distintas áreas, atendem a objetivos traçados no momento do diagnóstico que iniciou o processo, fechando um ciclo. De um ponto de vista que pode ser percebido como mais subjetivo, chega-se a um grupo de colaboradores mais satisfeitos e preparados para suas funções e com clareza do aprimoramento necessário às suas atividades.

Para Lucimar Delaroli, ainda que estejamos longe de um cenário onde treinamento e desenvolvimento efetivamente figurem da pauta central da maioria das empresas, não há dúvidas de que este será um caminho necessário para o amadurecimento das estruturas corporativas no país. “Esta trilha indicará que estamos evoluindo em nosso conceito de riqueza e valor e passando a compreender que além do lucro há retornos em nível humano que são muitíssimo importantes para organizações prósperas e sustentáveis”, completa.

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