Os Adultos Precisam de Educação? (Parte 2)

Não faltam na Internet fontes que procuram esclarecer (seja por meio de textos ou palestras) os conceitos e os pilares relativos à Andragogia. O problema principal encontrado é saber que os adultos também são passíveis de serem ensinados. Uma vez quebrada a resistência natural, descobrimos, com prazer, que eles podem ser alunos tão aplicados ou mais que as contrapartes mais jovens.

Porém, para maior compreensão do assunto e assimilação dos leitores que tem curiosidade sobre o tema, é necessário pesquisar para descobrir mais sobre o tema. Afinal, quais são os pilares da Andragogia? Ensinar adultos é tão desafiador assim quanto passa a imagem ou é mais uma questão de publicidade?

Eduard C. Linderman (1885-1953) foi um educador americano que obteve fama por meio de suas contribuições para a educação voltada a esse segmento. Ele descreveu os cinco pontos-chave desse tipo de educação da seguinte maneira:

1) Os adultos se motivam a aprender conforme descobrem que o assunto a ser explorado pode ser de seu interesse. Assim, é necessário sempre destacar essa característica quando formos trabalhar com o público.

2) O aprendizado adulto tem sua centralização voltada para sua vida. Assim, a melhor forma de se transmitir conhecimento para eles é lançar mão de situações cotidianas (ditas “de vida”) e não por meio de disciplinas e longas teorias discursivas sobre o assunto em questão. Aqui é o aluno que determina junto ao professor o que deve ser ensinado para que tenha satisfeito sua ânsia de expandir sua experiência.

3) Os adultos aprendem com a experiência. Dessa forma, o centro da metodologia voltada para esse público deve ser a análise de experiências externas e do cotidiano pessoal de cada envolvido. O conteúdo apresentado deve conter utilidade prática e imediata que resulte em mudanças de atitude e aperfeiçoamento de habilidades passíveis de gerar resultados a longo prazo.

4) O professor (ou tutor) que trabalhará com o ensino adulto deve entender que seus alunos tem, pela própria natureza, necessidade de serem auto-dirigidos, ou seja, eles mesmos querem colocar sua experiência frente ao que está sendo lecionado e tirar suas próprias conclusões. Assim, o professor deve se colocar numa posição em que irá ser uma espécie de parceiro dos alunos e não apenas alguém que transmite o conhecimento para depois avaliar o nível de aprendizado.

5) Por fim, deve-se levar em conta as diferenças pessoais, que crescem conforme se envelhece. Assim, para lecionar para adultos, devemos levar em consideração diferenças como estilo, tempo, lugar e ritmo de aprendizagem.

Assim é fácil entender por que essa categoria de aprendizado cresce em importância nas empresas. Trata-se de usar a metodologia para conseguir desenvolver plenamente a capacidade latente de adultos que possam num futuro não tão distante tornarem-se líderes. Lembremos uma das máximas da andragogia, que diz:

“Adultos retêm apenas 10% do que ouvem após 72 horas, mas são capazes de lembrar 85% do que ouvem, vêem e fazem após as mesmas 72 horas”.

O processo de aprendizagem, dessa forma, segue a ordem abaixo:

  • Sensibilização (motivação);
  • Pesquisa (estudo);
  • Discussão (esclarecimento);
  • Experimentação (prática);
  • Conclusão (convergência);
  • Compartilhamento (sedimentação).

Outro nome que já enfocou a Andragogia em sua obra é James C. Hunter, autor do best seller O Monge e o Executivo, que insiste que a liderança, esse atributo tão supervalorizado nas empresas, é “a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum”.

Com isto em mente vamos ver a seguir as cinco principais características andragógicas que devem ser levadas em consideração ao treinarmos pessoas nas corporações:

1) O líder também é membro da equipe – O ideal é que o líder tenha humildade suficiente para, além de se tornar um aprendiz, transformar-se em um tutor eficiente capaz de demonstrar a importância prática daquilo que será estudado, transmitir o entusiasmo pelo aprendizado e demonstrar que o aprendizado irá mudar a vida, tanto de seus liderados, como a de outras pessoas.

2) Uma equipe é feita por pessoas – Assim, o líder deve perceber que não existem duas pessoas iguais. Em qualquer número de integrantes sempre haverão pessoas com princípios, crenças e valores diferentes. Cabe a ele respeitá-los como são e harmonizá-los para atingirem um objetivo comum.

3) As pessoas têm idade e vivências diferentes – O lider deve entender que os valores mudam de acordo com as gerações. Assim, numa equipe com pessoas mais jovens e mais velhas, os primeiros virão com ideias mais arrojadas, enquanto os segundos possuem a experiência de vida. O líder deverá fazer com que o jovem aceite a experiência do mais velho e que este, por sua vez, aceite a inovação do mais jovem.

4) A comunicação deve ser eficiente – O líder deve prestar atenção ás maneiras como as mensagens são interpretadas e ficar atento para manter a coesão na equipe.

5) Clima de descontração – Os aprendizes devem encontrar um clima descontraído para a aprendizagem, pois isto favorece fatores como confiança e respeito, gerando uma maior aceitação por parte da equipe como um todo.

E assim se obtém o objetivo esperado: usar adultos para aprender e crescer. Afinal, quem disse que ser um adulto é saber tudo?

Por: Sérgio Pereira Couto, Escritor, Jornalista e Designer Instrucional na Integração Escola de Negócios.

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