Microlearning

O que você pensa quando alguém fala para você que hoje em dia há modalidades no ensino que até parecem conto do vigário? É o primeiro pensamento que vem às nossas mentes quando um termo como “microlearning” aparece na nossa frente. Afinal, o que vem a ser tal coisa?

Esta modalidade de ensino lida exatamente com o que diz o nome: unidades de ensino relativamente pequenas e atividades relacionadas curtas. Em geral o termo se refere a micro-perspectivas no contexto do ensino, educação e treinamento em geral. Mais freqüentemente, o mesmo termo passou a ser suado também nos meios do e-learning e campos correlatos no sentido de “um novo paradigma de perspectiva no processo de aprendizado mediante ambientes em processos microscópicos”, segundo um artigo de especialistas da Universidade de Innsbruck, na Áustria.

Parece um tanto abstrato, não é? De certo modo é mesmo, mas segundo os especialistas, o microlearning pode ser entendido como uma metáfora que se refere aos micro aspectos de uma variedade de modelos, conceitos e processos de ensino. Voltemos novamente nossa atenção para o já citado artigo austríaco em busca de mais informações e esclarecimentos. Lá diz:

“Não importa se o ensino se refere ao processo de construção e organização do conhecimento, mudança de comportamento, atitudes, valores, habilidades mentais, estruturas cognitivas, reações emocionais, padrões de ação ou dimensões sociais, em todos os casos temos a possibilidade de considerar os aspectos micro, meso e macro dos vários pontos de vista ou de mudanças mais ou menos persistentes e sustentáveis de performances”.

O que o trecho acima quer dizer, de maneira rebuscada e que apenas acadêmico saberá interpretar, é que no contexto do ensino de línguas, uma pessoa pode imaginar os micro aspectos em termos de vocabulários, frases e sentenças (que são as micro unidades do assunto lecionado) e que, uma vez que estes sejam compreendidos como tal (pequenos como células que compõem um corpo) podem ser distinguidos de situações e episódios (meso aspectos) e de questões e especificidades semânticas ou sócio-culturais (macro aspectos). Num discurso mais generalizado, pode-se pensar numa diferenciação entre os processos de ensino empregados para levar o conhecimento a uma pessoa individualmente, a um grupo ou a uma organização (respectivamente aspectos micro, meso e macro).

Assim, o microlearning marca a transição de modelos comuns de ensino para micro perspectivas e a significância das micro dimensões nesse processo. O enfoque é um paradigma emergente, por isso não há definições radicais ou coerentes a serem usadas neste caso. Entretanto, o foco crescente nas “micro” atividades podem ser vistas pelas atividades de usuários de web, que buscam suas postagens correspondentes (hashtags) em blogs e redes micro como o Twitter, o Technorati e o Del.icio.us.

Como instrumento de tecnologia, o microlearning se foca no design de atividades de microlearning por meio de micro passos em ambientes de mídia digital, que por si mesmos já são uma realidade diária para aqueles que trabalham com conteúdos modernos. Essas atividades podem ser incorporadas nas rotinas diárias e tarefas dos alunos. Diferente das abordagens mais tradicionais do e-learning, o microlearning geralmente tende a usar tecnologias mais de ponta, o que reduz a carga cognitiva daqueles que fazem dela uso. Portanto, a seleção de objetos para serem usados com esta tecnologia é muito importante para aqueles que trabalham com design didático.

Entre as características mais conhecidas do microlearning estão:

1)     O processamento, que deriva de uma interação com o microconteúdo, que acontece no meio desejado (como no e-learning, por exemplo); ou ainda numa estrutura de microconteúdo emergente como em posts de blogs ou gerenciamento de bookmarks sociais na rede mundial (por meio do Mosel 2005).

2)     O Microlearning é parte de um processo que trabalho no tempo necessário para resolver uma tarefa de ensino (por exemplo, responder a uma questão, memorizar um item ou encontrar um recurso necessário). Processos de aprendizado chamados de “microlearning” podem cobrir um espaço de tempo estimado de alguns segundos a até 15 minutos. Há alguma relação com o termo “microteaching”, que é uma prática já estabelecida em educação.

3)     O Microlearning também pode ser entendido como um processo de atividades de ensino curtas, ou seja, aprender por meio de interação com o microconteúdo em pequenos espaços de tempo. Neste caso, o design, seleção, feedback e colocação de tarefas em cadeia (ou sem série) são interligados.

4)     De um modo mais abrangente, o Microlearning é um termo que pode ser usado para descrever uma maneira pela qual cada vez mais pessoas no mundo de hoje aprendem informalmente e ganham conhecimento no chamado microcosmo (ambientes com microconteúdo, microlearning ou multitarefa), especialmente para aqueles baseados em tecnologias Web 2.0 e wireless. De uma maneira geral, as bordas entre microlearning e o conceito complementar de microconhecimento são mínimas e, por vezes, confusas.

Assim, lembre-se: toda vez que você estiver lendo um parágrafo de um texto, e-mail ou SMS; ouvindo um podcast ou assistindo a um videoclip educacional; visualizando um flashcard; colocando uma série de itens em ordem cronológica ou ainda respondendo a várias perguntas num teste, o microlearning estará em ação sem que você perceba. E pouco a pouco torna-se parte integrante das nossas vidas.

 

Por: Sérgio Pereira Couto, Escritor, Jornalista e Designer Instrucional na Integração Escola de Negócios.

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